terça-feira, 29 de abril de 2008




SOBRE COMO NASCEM OS GÊNIOS...OU LOUCOS....OU GÊNIOS LOUCOS

Um misto de amor e dor invade o peito e estremece as entranhas dos seres escolhidos para hospedar a genialidade. Escolhidos não por um designo divino ou pelas sutis linhas do destino, mas, escolhidos pelos devaneios da tirana vida que, de quando em quando, resolve brincar com pessoas e arrancar delas o que de mais profundo a raça humana pode possuir. Arranca-lhes a essência, o âmago, o útero gerador de vida para si e para os outros. Como já disse um dia um desses gênios, “Pois eu fui puxado a ferro, arrancado do útero materno, e apanhei pra poder chorar.” (Quando Eu Morri - Raul Seixas) Esse arrebatamento da genialidade sempre envolve os elementos primordiais, tão antagônicos e sempre tão unidos, que por força da irracionalidade podem ser uma coisa só. AMOR e DOR. Palavras curtas e simples, com significados tão profundos e tão loucos. Residência de devaneios, suspiros e tragédias. Até que chegam aqueles dias e momentos que parecem eternos, em que a gente só quer dormir cedo pra noite passar depressa e não poder nos agarrar. Noites de garras de aço, que nos cortam em mil pedaços... e no outro dia temos que nos remendar. Esse é o nosso mundo, nem feio, nem ruim, muito menos insuportável Apenas nosso! Presente da louca vida, sempre presenteando com sua loucura os seus escolhidos. Gênios sempre mal compreendidos, principalmente pelos seus e em seu tempo. Seres que oscilam entre os malditos e os inocentes. Seres sufocados pela incompreensão. Que gritam como gritava Cazuza: “Me deixem amolar e esmurrar a faca cega, cega da paixão... Não escondam suas crianças não, e nem chamem o sindico, nem chamem a policia, nem chamem nenhum hospício não, eu não posso causar mal nenhum a não ser a mim mesmo, e não ser a mim.” (Mal Nenhum - Cazuza). Gênios ou loucos, ou gênios loucos. Isso não interessa, interessa que são pessoas que preferiram “Explodir, à queimar aos poucos” (Janis Joplin), e que por isso deixaram atrás de si um rastro eterno e de uma profundidade inalcançável, apenas “intuível” . Afinal, precisamos ser loucos ou gênios ou gênios loucos para intuir as sensações que tiveram os grandes nomes da genialidade mundial. (ver Leminski) Como sentir prazer ao ouvir Beethoven (não os grunhidos do cão, mas a melodia do gênio) se também nós, assim como ele, não tivermos as nossas oscilações entre a docilidade e a agressividade? Por isso que acredito que “nós os malucos vamos lutar pra nesse estado continuar nunca sensatos nem condizentes, mas parecendo super contententes... (...) vamos incertos pelo caminho, nos comportando estranhos no ninho... (...) Mais todo mundo que é genial nunca é descrito como normal.” (Hino dos Malucos - Rita Lee). E como disse mais um desses loucos/gênios, Salvador Dali, “eu vou ser tão breve que na verdade já terminei”.


Sugestão de filme: Minha Amada Imortal

4 comentários:

Unknown disse...

Irei adorar fazer parte desta excursão, posto que logo de início me identifiquei com suas palavras. Estarei aqui para "ouvi-lo".
Abraços.

Kamila Babiuki disse...

Noites de garras de aço, que nos cortam em mil pedaços... e no outro dia temos que nos remendar

isso lembra muitas coisas, não lembra? por exemplo... se vc ouvisse as vozes que eu ouço a noite, acharia tudo que eu faço natural.
por que será que esse tipo de coisa sempre lembra outra parecida, ou.. uma pessoa lembra outra.. ou ainda, por que será que os pensamentos do mundo [ou da parte pensante dele] estão sempre interligadas?

Clara disse...

Ler o que "vocês" escrevem é absolutamente fantástico. Talvez a Kamila se lembre do meu "sentir-se bem e mal ao mesmo tempo".

Felipe Corinthians disse...

Sinceramente...

Achei uma bosta esse texto. Talvez por ser o meu ponto fraco. Esse negócio de sentimentalidades e o "meu eu interior"...rsrsrsrsrs...

Não se sinta ofendido Paulo, você sabe que o meu sentido de ODIAR é diferente da maioria.

Espero um "elogio" seu no maior estilo : " Você, Felipe, só pensa quando o assunto é Comunidade"

Hahahahahahahaha...

Abraços, amante do seu próprio universo.